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16/12/2016


Coluna do Colaborador: Crítica - Vigiar e Punir

Por: Flávio Rodrigues

Imagine-se em uma sociedade onde você é constantemente vigiado não só por um poder estabelecido, mas por todas as pessoas à sua volta. Imagine-se em uma sociedade onde quebrar as regras significa que todos têm o seu direito à vingança por este ato e, portanto, a punição e o medo dela são os grilhões que seguram todos na linha. Pois agora você pode parar de imaginar. Você vive nesta sociedade.

Estes são alguns temas trazidos à tona pela peça "Vigiar e Punir: um soldado beijava a boca de Foucault na escada da escola", que foi encenada nos dias 9, 10 e 11 deste mês na sede da ATA, pela companhia teatral Caravan Maschera, com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, do Projeto Orun-Aiye, do Território das Artes Caravan Maschera e do Proac.

A peça, baseada em uma das obras mais icônicas e importantes do filósofo francês Michel Focault, trouxe uma profunda reflexão acerca dos métodos de vigilância e punição adotados pela nossa sociedade, utilizando-se de belíssimas e inquietantes imagens visuais conduzida com maestria pelos dois bufões interpretados por Leonardo Garcia Gonçalves e Giorgia Goldoni, que tiravam risos e emoções de nossas tragédias contemporâneas.

Contando com uma parte técnica impecável, os grandes pontos altos do espetáculo são, sem dúvidas, os bonecos que "encenam" as diferentes passagens  da peça e ilustram a obra de Focault, construindo imagens fantásticas de nossa contemporaneidade bem diante dos nossos olhos.

Inspirados em quadros de Bosch e Goya, os bonecos possuem extrema expressividade, com rostos sofridos e deformações, gerando um misto de curiosidade e horror. A parte cenográfica também é muito bem resolvida, com um cenário em constante transformação, e os adereços, figurinos e design de luz completam de maneira competente o mise en scène, que traz algo de sujo e deteriorado em seus objetos, reflexos claros da própria sociedade em que nos inserimos.

Vigiar e Punir pode parecer, num primeiro momento, uma peça cabeça. De fato, a complexidade do que é apresentado pode dar a ela uma profundidade imensa. No entanto, as imagens que se constroem à nossa frente parecem se organizar de maneira orgânica, tornando-a amigável a qualquer público. Mesmo aquele que não compreender toda a profundidade do que é tratado vai se deslumbrar com o trabalho visual da companhia.

Apesar da sugestão, entoada quase que como uma ordem no início da peça, para que "desliguemos o cérebro", a apresentação se vale de imagens muito claras e simbologias muito fortes, e não tem vergonha de apelar para o didatismo puro quando necessário, fazendo com que a mensagem chegue a todos, sem pedantismos desnecessários.

A Caravan Maschera trouxe até nós uma obra forte e impactante que, sem dúvidas, merece ser prestigiada. Um acerto e tanto em um momento tão cheio de incertezas sociais e políticas em nosso país.

Dei-me o direito de ir vigiá-los por uma noite e acabei por, sem perceber, sendo castigado com a punição mais cruel que alguém pode exercer sobre um outro: fazer pensar. "Desliguem o cérebro", vocês disseram. Mas que grande propaganda enganosa.

Ficha Técnica:
Realização: Caravan Maschera Teatro - Território das Artes Caravan Maschera
Concepção e encenação: Giorgia Goldoni e Leonardo Garcia Gonçalves
Figurino: Adelfa Bergonzini
Cenografia: Gianni Goldoni
Assessoria para produção de bonecos: Fernanda Paredes
Design de luz: Denis Dontot
Musicalidade: John Cage, Philip Glass, Yann Tiersen
Elenco: Giogia Goldoni e Leonardo Garcia Gonçalves
Adaptado da obra de Michel Foucault "Surveiller et Punir"
Duração: 60 minutos.
 

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Colaboração de Flávio Rodrigues

Músico, crítico, compositor e docente. Apresentador do programa SOM+, na Atibaia TV, e do programa Ruídos, em seu canal próprio. Conheça mais em www.facebook.com/flaviorodriguesbr

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